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Cecília e os pássaros: a beleza de voar do seu próprio jeito

Em uma história de ternura, liberdade e amor, Cecília nos ensina que cada pessoa tem seu próprio tempo e que não existem limites para quem nasceu para abrir as asas da vida.

Paulo Cavalcanti
Por: Paulo Cavalcanti Fonte: Redação ImpactOeste
20/10/2026 às 18h44
Cecília e os pássaros: a beleza de voar do seu próprio jeito
Cecília, a menina que voa com os pássaros

O dia amanhece.
Os primeiros raios de sol rompem a escuridão da madrugada, enquanto os pássaros anunciam, em cantoria, a chegada de um novo dia.
Mas há algo de especial em toda manhã.
Eles parecem esperar por alguém.
É Cecília!
Ao lado da avó, mergulha delicadamente as pequenas mãos na vasilha de alimento dos pássaros. Entre os dedos, recolhe os grãos e, num gesto de ternura, espalha-os pelo chão.
Uma, duas, três rolinhas se aproximam.
Chegam primeiro, como se fossem mensageiras, abrindo caminhos para que os demais pássaros se acheguem.
Cecília não precisa se afastar muito.
Já é conhecida por eles.
Talvez os pássaros reconheçam naquela menina algo que os adultos, tantas vezes, demoram a compreender.
Cecília também sabe voar.
Voa no balanço, quando seu corpo acompanha o movimento do vento, como se pudesse alcançar o céu.
Voa quando, tomada pela alegria, movimenta os braços como se fossem asas, desenhando no ar uma dança que só ela conhece.
Voa quando o vento forte encontra seus cabelos, fazendo-os esvoaçar, enquanto seu rosto parece conversar com a brisa.
E, nesses instantes, não há limites entre a menina, o vento e os pássaros.
Há apenas a vida acontecendo.
Talvez seja por isso que eles se encontrem todas as manhãs.
Os pássaros não perguntam a Cecília por que ela ainda não caminha como outras crianças, nem por que suas palavras encontram caminhos diferentes para nascer.
Não exigem explicações sobre seus movimentos, seus gestos ou seu tempo.
Simplesmente a reconhecem.
E Cecília, por sua vez, não lhes pede que cantem mais bonito, que voem mais alto ou que sejam diferentes daquilo que são.
Ela apenas os acolhe.
Entre a menina e os pássaros existe um entendimento silencioso, desses que dispensam palavras porque nascem da liberdade.
E assim, enquanto o sol ilumina o quintal, Cecília e os pássaros celebram um encontro que se renova a cada amanhecer.
Eles sabem de algo que nós, adultos, precisamos reaprender:
A verdadeira liberdade não está em voar mais alto que os outros, mas em poder abrir as próprias asas, no seu tempo, do seu jeito, sem precisar provar nada a ninguém.
E Cecília voa.
Ah, como voa a minha menina!
Mesmo quando seus pés permanecem no chão.

Com Denise Murbach Fasano e Marianna Murbach Fasano

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